Antes de qualquer coisa, se alguém ler esse texto, só quero que saibam que esse é um diário para me recordar de tudo o que passei nesses últimos meses. Como alguns que acompanham o blog sabem, não o fiz com o intuito de alguém ler, mas pra exercitar minha capacidade de escrever e foi como uma válvula de escape pro falecimento do meu pai.
Continuando...
Após ter feito uma tomografia de emergência e ter descartado a possibilidade de estar com apendicite, até relaxei um pouco e resolvi esperar saí o resultado de todos os exames. No dia de pegar o resultado da endoscopia, isso já no dia 26/11/2017, o Delboni não encontrava meu exame de jeito nenhum. Fiquei meia hora esperando, buscar. Esse foi o início de uma sequência de erros (que vai ser contada em uma nova postagem).
Ser humano é um bicho besta e curioso, né? Pois lá fui eu abrir os resultados. Num deles (o resultado da biópsia), constava o termo "lesão ulcerada com formação de células atípicas". Nem precisei jogar no Google, pensei "células atípicas?", o negócio é mais sério do que eu pensava.
Voltei ao médico, no dia marcado para o retorno, para levar os exames. O doutor examinou primeiro a tomografia, mesmo porque ele não sabia que eu tinha voltado ao pronto socorro e feito a tomografia. Não viu nada de diferente, a não ser a gordura no fígado e duas hérnias de hiato (que eu já sabia que tinha). Ao analisar a endoscopia, leu o laudo normalmente (pode ser que todos os médicos, que eu tenha passado até hoje, sejam muito ruins, mas eu nunca tinha visto nenhum deles observar as imagens que vem na endoscopia), fechou o exame e em seguida pegou o resultado da biópsia e leu, releu e pegou a endoscopia novamente. Foi a primeira vez que vejo um médico observando as imagens de uma endoscopia.
Após pensar e reler mais uma vez, mostrou uma das imagens pra mim e me mostrou uma mancha branca, explicando "Tá vendo essa foto? Aqui é a saída do esôfago e, logo na entrada do estômago, tem essa lesão que não sabemos o que é. O próprio laboratório orientou que faça um novo estudo, em cima da lâmina da biópsia, para investigar a fundo do que se trata". Dito isso, me explicou que eu deveria voltar ao laboratório onde realizei a endoscopia e solicitar que fosse feito um exame imunohistoquímico na biópsia e, caso o laboratório não realizasse esse procedimento, teria que pedir a lâmina para encaminhar a um algum outro laboratório que fizesse o exame.
Corri para o laboratório e estava todo mundo tão perdido quanto eu. Se eu nunca havia ouvido falar no tal do imuno alguma coisa, eles pareciam conhecer menos ainda. Mas no fim, acabou tudo dando certo. Resultado ficou pronto no dia 10//12 e o retorno ao gastro estava marcado para dia 14.
No dia 14/12/2017, voltei ao médico com o resultado do imunohistoquímico em mãos. Quando ao abrir, o médico disse que, para ele, era algo novo que não conhecia. Após pesquisar, no que ele chamou de "Pai dos Burros", finalmente falou que estou com um tumor maligno, um "adenocarcinoma do tipo intestinal de Laurén". Claro que me assustei, mas meio que estava esperando por um resultado parecido (lembra das células atípicas?). Me encaminhou a fazer tratamento no Hospital A. C. Camargo e fez questão de me dar o número de seu telefone celular pra qualquer tipo de ajuda, documentação necessária, além de pedir pra eu mantê-lo informado sobre o meu estado de saúde. Mais uma vez, o médico me surpreendeu!
Na sequência, vou falar de uma série de coisas que começaram erradas, parecia até falta de sorte!
Valeu, pessoal! Ósculos e amplexos a todos!
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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Textão chato - Diário de uma doença I
Antes de qualquer coisa, se alguém ler esse texto, só quero que saibam que é um diário, para me recordar de tudo o que passei nesses últimos meses. Como alguns que acompanham o blog sabem, não o fiz com o intuito de alguém ler, mas pra exercitar minha capacidade de escrever e foi como uma válvula de escape pro falecimento do meu pai.
No dia 26/10/2017, uma quinta-feira, fui com amigos ao Madero para jantar. Sempre comi bastante, tenho uma forma roliça (rs) e nos dias seguintes a essas orgias gastronômicas, me sentia estufado durante o dia inteiro. Dessa vez, não foi diferente. Só que o desconforto continuou na sexta, no sábado e, no domingo, ao ver que não tinha voltado ao normal, fui ao pronto socorro (claro que antes já tinha tentado algumas coisas como Luftal, sal de frutas, etc).
Dia 29/10/2017, levei o Michel ao metrô para que ele fosse trabalhar e segui pro pronto socorro do Hospital São Luiz, do Anália Franco. Era domingo de manhã, então estava bem vazio, fui atendido rapidamente. Fiz alguns exames (ultrassom do abdômen e alguns de sangue), mas os resultados não demonstraram nenhuma irregularidade grave, a não ser a minha esteatose hepática que já me acompanha há algum tempo. Me deram alta e receitaram Buscopan e Tylenol, de 6 em 6 horas.
Após ter tomado a terceira dose de Tylenol aquele dia, minha dor não tinha cessado e resolvi voltar ao hospital. Foi a maior confusão, pois "eu tinha que ter avisado que eu já tinha ido ao hospital naquele dia", mas o atendente nem mesmo olhou em minha cara para perguntar qualquer coisa. Simplesmente foi abrindo a ficha e só ao final perguntou o que eu estava sentindo. Enfim, fui atendido e a médica já me indicou que recebesse morfina na veia, mas não sem antes passar com um cardiologista, pra, pelo menos, excluir algum risco coronariano. Fez mais alguns exames de sangue e, após algum tempo, me liberou pra casa, recomendando que eu procurasse um gastroenterologista, para que fizesse uma pesquisa mais a fundo.
Consultei amigos sobre indicações de um bom gastro e consegui duas recomendações: uma da Lucineide e outra da Carol. Dei preferência pro da Lu, mas ele só tinha agenda para quase um mês depois e, ao ligar para a clínica do médico da Carol, já tinha agenda para a próxima semana. Não pensei duas vezes, agendei e fui pra consulta.
Num primeiro momento, expliquei tudo o que aconteceu e informei que doía o abdômen todo e não era uma dor intermitente, ela ia e vinha. Também disse que quando estive no pronto socorro, nas duas vezes, a dor era insuportável quando os médicos apalpavam meu baixo ventre, do lado direito. Logo, o gastro suspeitou de apendicite e solicitou que eu fizesse uma endoscopia e uma tomografia do abdômen (essa era mais urgente, assim que tivesse o resultado, era pra ter um jeito de levar pra ele). Não solicitou colonoscopia, num primeiro momento, pois, além de muito invasiva, não seria imprescindível para eliminar suas suspeitas. Ele pediu que, caso a dor voltasse, que eu fosse ao pronto socorro novamente e explicasse as suas suspeitas e pedisse pra fazer uma tomografia de urgência.
E foi exatamente o que aconteceu. Alguns dias depois, passei mal e voltei ao pronto socorro. Nunca passei tanta raiva naquele lugar. Fizeram mais exames de sangue e a tomografia. Eu estava com fome, frio, sede (não podia tomar água por conta da tomografia), sono e dor, e nada de sair os resultados dos meus exames. Passadas 4 horas na espera, fui questionar e falaram que faltavam alguns exames de sangue. Após uns 15 minutos (minha ficha era a única que estava numa pasta amarela e, durante esse tempo, vi a pasta andando pra lá e pra cá), a moça da recepção me chama e me encaminha para o setor de coleta. Adivinha? Teriam que coletar meu sangue de novo. Me recusei e falei que queria ir embora, que deixasse eu falar com o médico com apenas o que tinha resultado.
Ao falar com o médico, este pediu mil desculpas pelo ocorrido e que poderia acontecer com qualquer um, mas que alguns resultados eram importantes. Repeti que queria apenas ir embora pra minha casa e ele avaliou o que tinha em mãos. Falou que meu apêndice estava ligeiramente aumentado, mas isso podia ser apenas uma característica do meu corpo (assim como pessoas tem narizes ou orelhas maiores, por exemplo). Ele comentou da possibilidade de me internar, para ficar em observação e verificar a evolução da dor e me medicar, mais uma vez insisti que queria ir pra minha casa. Já sem dor, mas morrendo de raiva, ainda mais na hora de pagar o estacionamento, que ficou em, nada menos, que R$ 50,00.
Esse foi só o começo de uma saga... continua nos próximos dias!
Valeu, pessoal! Ósculos e amplexos a todos!
No dia 26/10/2017, uma quinta-feira, fui com amigos ao Madero para jantar. Sempre comi bastante, tenho uma forma roliça (rs) e nos dias seguintes a essas orgias gastronômicas, me sentia estufado durante o dia inteiro. Dessa vez, não foi diferente. Só que o desconforto continuou na sexta, no sábado e, no domingo, ao ver que não tinha voltado ao normal, fui ao pronto socorro (claro que antes já tinha tentado algumas coisas como Luftal, sal de frutas, etc).
Dia 29/10/2017, levei o Michel ao metrô para que ele fosse trabalhar e segui pro pronto socorro do Hospital São Luiz, do Anália Franco. Era domingo de manhã, então estava bem vazio, fui atendido rapidamente. Fiz alguns exames (ultrassom do abdômen e alguns de sangue), mas os resultados não demonstraram nenhuma irregularidade grave, a não ser a minha esteatose hepática que já me acompanha há algum tempo. Me deram alta e receitaram Buscopan e Tylenol, de 6 em 6 horas.
Após ter tomado a terceira dose de Tylenol aquele dia, minha dor não tinha cessado e resolvi voltar ao hospital. Foi a maior confusão, pois "eu tinha que ter avisado que eu já tinha ido ao hospital naquele dia", mas o atendente nem mesmo olhou em minha cara para perguntar qualquer coisa. Simplesmente foi abrindo a ficha e só ao final perguntou o que eu estava sentindo. Enfim, fui atendido e a médica já me indicou que recebesse morfina na veia, mas não sem antes passar com um cardiologista, pra, pelo menos, excluir algum risco coronariano. Fez mais alguns exames de sangue e, após algum tempo, me liberou pra casa, recomendando que eu procurasse um gastroenterologista, para que fizesse uma pesquisa mais a fundo.
Consultei amigos sobre indicações de um bom gastro e consegui duas recomendações: uma da Lucineide e outra da Carol. Dei preferência pro da Lu, mas ele só tinha agenda para quase um mês depois e, ao ligar para a clínica do médico da Carol, já tinha agenda para a próxima semana. Não pensei duas vezes, agendei e fui pra consulta.
Num primeiro momento, expliquei tudo o que aconteceu e informei que doía o abdômen todo e não era uma dor intermitente, ela ia e vinha. Também disse que quando estive no pronto socorro, nas duas vezes, a dor era insuportável quando os médicos apalpavam meu baixo ventre, do lado direito. Logo, o gastro suspeitou de apendicite e solicitou que eu fizesse uma endoscopia e uma tomografia do abdômen (essa era mais urgente, assim que tivesse o resultado, era pra ter um jeito de levar pra ele). Não solicitou colonoscopia, num primeiro momento, pois, além de muito invasiva, não seria imprescindível para eliminar suas suspeitas. Ele pediu que, caso a dor voltasse, que eu fosse ao pronto socorro novamente e explicasse as suas suspeitas e pedisse pra fazer uma tomografia de urgência.
E foi exatamente o que aconteceu. Alguns dias depois, passei mal e voltei ao pronto socorro. Nunca passei tanta raiva naquele lugar. Fizeram mais exames de sangue e a tomografia. Eu estava com fome, frio, sede (não podia tomar água por conta da tomografia), sono e dor, e nada de sair os resultados dos meus exames. Passadas 4 horas na espera, fui questionar e falaram que faltavam alguns exames de sangue. Após uns 15 minutos (minha ficha era a única que estava numa pasta amarela e, durante esse tempo, vi a pasta andando pra lá e pra cá), a moça da recepção me chama e me encaminha para o setor de coleta. Adivinha? Teriam que coletar meu sangue de novo. Me recusei e falei que queria ir embora, que deixasse eu falar com o médico com apenas o que tinha resultado.
Ao falar com o médico, este pediu mil desculpas pelo ocorrido e que poderia acontecer com qualquer um, mas que alguns resultados eram importantes. Repeti que queria apenas ir embora pra minha casa e ele avaliou o que tinha em mãos. Falou que meu apêndice estava ligeiramente aumentado, mas isso podia ser apenas uma característica do meu corpo (assim como pessoas tem narizes ou orelhas maiores, por exemplo). Ele comentou da possibilidade de me internar, para ficar em observação e verificar a evolução da dor e me medicar, mais uma vez insisti que queria ir pra minha casa. Já sem dor, mas morrendo de raiva, ainda mais na hora de pagar o estacionamento, que ficou em, nada menos, que R$ 50,00.
Esse foi só o começo de uma saga... continua nos próximos dias!
Valeu, pessoal! Ósculos e amplexos a todos!
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